Have you ever looked at a tiger and thought you ought to cover it up?
- Erick Lensherr/ X-Men- First Class.
Eu, particularmente, gosto muito dessa frase, se aplica muito bem a mim, e acho que a maioria da humanidade, pois como ando observando a maioria dos animais mais "apreciados" do planeta são os chamados predadores.
Digo que essa frase se aplica a mim, como possuo um devotado e muito bem atento Passageiro Sombrio, sou considerada um predador, uma ameaça a humanidade, pois são presas fáceis para um Observador Sombrio, e
como um predador, meu Passageiro consegue reconhecer outros predadores de longe, e sempre que vejo alguém como eu, sinto uma imensa e quase incontrolável vontade de me aproximar, observar e, se possível, aprender ou
ensinar todos os meios de um predador se camuflar e misturar no meio das presas sem ser notado.
E foi assim que nesse sábado, sem eu menos esperar encontrei mais um ser que tem acoplado a si um Passageiro, e sem poder me conter me aproximei e vou
relatar como foi essa experiência:
Sábado, 11:50 da manhã, Minha mãe como boa religiosa que é resolveu fazer evangelismo, e com uma e outra chantagem, ela e mais 3 "amigas" minhas me obrigaram a acompanha-las, como sempre estava entediada e resolvi perguntar a minha mãe onde iríamos e ela respondeu:
- Na casa de uma menina louca.
Eu, logo me interessei, afinal tenho grande apreciação por pessoas "quebradas interiormente" , mas respondi um "Hum..." para não transparecer minha excitação, chegamos em uma casa simples e uma de minhas amigas chamou o
nome da mãe da garota que saiu chorando de casa, perguntei o que tinha acontecido, para parecer solidaria, e ela disse:
- Acho bom vocês não entrarem, Débora* está mais descontrolada hoje.
Nisso ouvimos a porta da casa bater, Débora havia trancado a casa, então resolvi perguntar a mãe da garota o que a filha dela tinha, ela nos contou que desde os 11 anos a filha, atualmente com 14, não saia de casa, usava a
mesma roupa a 3 anos, um uniforme escolar, e se esconde de qualquer ser humano que não sejam o pai, a mãe e o irmão, disse que vários psicólogos já foram na casa deles e tentaram falar com ela, mas sempre ela se escondia ou
os atacava com uma faca .Ao ouvir essas palavras, principalmente a ultima, meus extintos que já estavam aguçados foram a mil, convenci a mãe de Débora a nos deixar entrar, paramos em frente a porta, que se encontrava trancada, e poderei se devia usar meus conhecimentos e arrombar a porta, mas decidi por não fazer, a mãe da garota ligou para o marido, que trouxe a copia da chave. A porta se abriu e nisso ouvi um barulho metálico vindo da cozinha, e logo deduzi que a menina tinha pego uma faca, todos ficaram na sala meio receosos, com medo de se aproximar, e eu já queria mais do que tudo me aproximar, perguntei ao irmão da garota onde ela estava, e ela disse que provavelmente ela estaria escondida no guarda-roupas do quarto, aproveitei a informação e me dirigi para o quarto dela, sem nem ouvir direito as recomendações do pai e da mãe dela para eu tomar cuidado. Abri a porta do quarto e, incrivelmente, ele estava super arrumado, meus extintos estavam aguçados, comçei a procura-la pelo quarto,consegui ouvi-la respirar atrás da cômoda, me aproximei cautelosamente e chamei o nome dela, ela não respondeu, e eu nem esperava que responde-se, então resolvi me aproximar mais, quando me viu, ela se encolheu ainda mais no canto em que estava escondida, a observei por alguns minutos e percebi que mesmo a três anos sem
tomar um banho, ela era uma garota muito bonita, chamei o nome dela novamente e ela me olhou, e quando os olhos verdes dela se encontraram com os meus sinti o Passageiro Sombrio dar uma risada sarcástica e sussurrar: " Ora, ora, encontramos mais um de nós", me sentei na cama de empurrei um pouco a cômoda, para poder vê-la, ela continuava a me olhar apreensiva e
ameaçadora segurando a faca da cozinha com as duas mãos e com algumas lágrimas escorrendo pelos olhos, respirei e perguntei amistosa:
- Tudo bem Débora?
Ela não respondeu, apenas continuou me encarando, eu levantei um pouco o meu vestido e mostrei a ela algumas das marcas de cortes que tenho nas pernas e estendi os braços para ela ver as marcas neles também e disse:
- Débora, você está vendo esses cortes?- ela acentiu com a cabeça - Eu me cortei por que escondo um segredo muito grande que não posso contar para ninguém e as vezes esse segredo fica tão ruim de carregar que o único jeito de me sentir melhor e menos sobrecarregada é me cortando. E eu acho que você também esconde um segredo. Estou certa?
Ela acentiu novamente com a cabeça e eu sorri.
- Então como somos muito parecidas, acho que podemos tentar ser amigas, tudo bem pra você?
Ela acentiu mais um vez, ainda me olhava com medo, mas não tanto quanto antes.
- Tudo bem então, sábado que vêm eu volto aqui para te ver. Você quer ir para a sala conhecer a outras pessoas ou não?
Pela primeira vez ouvi a voz dela e estremeci complemente, era tão doce que enganaria qualquer um.
- Eles também escondem um segredo?- Ela perguntou.
- Não, Débora, eles não escondem um segredo, mas eles até que são legais, Você quer conhece-los?
Ela negou mexendo a cabeça frenéticamente, eu me levantei da cama e pedi para ela me entregar a faca dizendo que ela poderia se machucar, ela, claro, ficou arredia e negou, eu disse que ela podia cofiar em mim, que eu era
amiga dela, e depois de alguma insistência ela colocou a faca no chão e eu a peguei, claro que fazendo um grande esforço para não olhar para a faca porque que facas tem um certo "poder"sobre mim", me despedi dela dizendo um
"Até sábado que vêm" e ela acentiu novamente, sai do quarto e contei, resumidamente e omitindo muitas partes o que tinha acontecido para minha mãe, os pais dela, e minhas amigas, conversamos mais um pouco com os pais dela, minha mãe deu conselhos, ridículos mais o.k., para os pais dela, leram um trecho da bíblia, oraram e fomos embora.
Enfim, agora tenho um novo predador para observar e ensinar, por isso tenho que manter o controle e aprender mais do que já estava aprendendo para poder instrui-la, afinal ela está fazendo tudo errado e se continuar assim
logo, logo será internada e isso não é nada bom, vou fazer o máximo para "ajuda-la". "Será um Tigre cuidando outro"... Vamos ver no que dá.
*Os nome Débora, é fictício para proteger a privacidade dela e ,claro, a minha também.

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